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Gibiteca de Curitiba

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A primeira Gibiteca pública do mundo

Anterior às suas similares na Bélgica e na França, a Gibiteca de Curitiba apontou, em 1982, um caminho mundial de popularização da Nona Arte

 
Ben-Hur Demeneck
 
 
A primeira gibiteca pública do mundo foi inaugurada em 1982, em Curitiba, por iniciativa do arquiteto Key Imaguire Jr. — e até hoje nenhum pesquisador internacional conseguiu refutar tal afirmação. Nos Estados Unidos, bibliotecas especializadas em quadrinhos que antecederam a Gibiteca de Curitiba eram orientadas a pesquisadores. Na Europa, todas as experiências similares se instalaram depois. 
 
“O Centre Belge de la Bande Dessinée [de 1989] e a hoje conhecida como Cité Internationale de la Bande Dessinée [de 1984] foram as primeiras entidades europeias a dar um destaque especial às publicações de histórias em quadrinhos”, assinala o livre docente da Universidade de São Paulo (USP) Waldomiro Vergueiro. Para o pesquisador, tanto essas coleções presentes em Bruxelas e no Angoulême quanto suas equivalentes norte-americanas sempre tiveram a finalidade primeira de preservação da memória do meio. Ou seja, um interesse museológico.
 
O diferencial das gibitecas brasileiras, a começar pela de Curitiba, é o de “serem centros de cultura desenvolvidos em torno das histórias em quadrinhos, enquanto que no exterior elas não foram criadas mirando o leitor comum, mas o especialista, o estudioso e, em última instância, aquele que está envolvido diretamente na produção”, arremata Vergueiro,editor da revista 9ª Arte e do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP.
 
“A Gibiteca de Curitiba é uma agregadora de linguagens. Reúne contadores de histórias, artistas visuais, jogadores de RPG, fãs de Star Trekcosplayers, leitores de steampuk”, diz o quadrinista José Aguiar. Pela Gibiteca circulam figuras que se interessam por todas as artes. Aguiar conta que já viu circulando pelo espaço o escritor Luis Fernando Verissimo, o cineasta Sylvio Back e o (sumido) compositor Belchior. Dos quadrinhos, topou recentemente com o britânico David Lloyd que, junto com Alan Moore, criou a HQ V de Vingança. 
 
Templo da Nona Arte
“Reconhecer que os quadrinhos, desenhos animados ou charges políticas merecem um espaço especial, um ‘templo’, é um passo para acabar com o preconceito de baixa ou alta cultura”, discerne Jorge Salvador Anaya Martínez. Ele pesquisa histórias em quadrinhos junto à Unam (Universidade Nacional Autónoma de México) e integra o grupo de trabalho de quadrinhos da International for Media and Communication Research (IAMCR). 
 
Jorge Martínez lamenta que em seu país não haja algo similar à Gibiteca de Curitiba. “Uma gibiteca pública simboliza uma cultura que não diferencia a importância de livros e gibis”, interpreta o estudioso. No México, há instituições contendo coleções especializadas, como a Hemeroteca Nacional da UNAM, em que é preciso preencher um requerimento para ter acesso aos materiais. O espaço mais próximo de uma gibiteca seria o Museu de Caricatura da Sociedade Mexicana de Cartunistas, fundado em 1987 no centro histórico da Cidade do México.
 
“Por sua própria existência, uma gibiteca já tem uma mensagem clara e benéfica para o meio: os quadrinhos existem, são importantes e nós acreditamos neles”, afirma Waldomiro Vergueiro. Manter um espaço e uma instância administrativa especialmente voltados para as histórias em quadrinhos demonstra, para o professor, que a “Nona Arte atingiu um estágio de maturidade e legitimação cultural que a credencia a uma atenção diferenciada”. 
 
Se Waldomiro Vergueiro emprega o termo “Nona Arte” para tratar de quadrinhos, o idealizador da Gibiteca Key Imaguire Jr. gosta de empregar o termo “literatura gráfica”. Ele explica que, “apesar de ele ser um tanto acadêmico”, demonstra o caráter de uma “literatura que se expressa graficamente”. O termo se contrapõe à “maldição” que durou até a década de 1970, quando os quadrinhos eram vistos com preconceito, como corrupção de menores, transmissão de conteúdos impróprios e incentivo à preguiça mental. 
 
Volta para casa 
“O ‘espírito da Gibiteca’ existia antes dela, no pessoal que se reuniu para criar a Casa de Tolerância, revista curitibana alternativa, da década de 1970”, diz Imaguire Jr., sobre a “essência” do local que idealizou há mais de 30 anos. “Em vez de haver uma coesão forçada e formal, talvez a liberdade de formulações permita que o espaço seja duradouro”, completa. 
 
Quanto à diversidade em torno da Gibiteca, exemplifica: “Um autor de produção brilhante e fortemente individual como o Solda não se enturma, mas quando a gente precisa dele e o convida, apoia; há os que produzem para jornais; outros publicam seus álbuns e revistas; tem a Pryscila [Vieira], que trabalha no espaço virtual”. 
 
No documentário que acompanha a publicação de Gibiteca de Curitiba: a primeira do Brasil, de Key Imaguire Jr. (2012), pode-se ouvir uma expressão que se tornou recorrente no meio dos quadrinhos curitibanos: “crias da Gibiteca”. O termo designa quem desenvolveu sua arte e linguagem sob a influência do espaço. Um dos exemplos é Fúlvio Pacheco, que neste ano assumiu a coordenação da Gibiteca. Já a lista de revistas surgidas sob égide da Gibiteca é igualmente extensa e inclui Manticore, Dr. Clima, Anjos de Curitiba, Zongo Comiques. Quanto aos álbuns, há nomes como O Gralha, O Chalaça, Vigor Mortis, Dom Casmurro, Fantasias Urbanas, Avenida, La Naturalesa, Ato 5, Marcozinho, 7 Vidas, Contra a Bomba.
 
O espaço ainda deu vida a eventos. A então Gibicon — hoje Bienal de Quadrinhos de Curitiba — surgiu no contexto do aniversário de 30 anos da Gibiteca de Curitiba. A visibilidade dada pela Gibicon encorajou muitos artistas a começar e se desenvolver na área de quadrinhos. “O resultado [do evento] veio com mais publicações, e sempre com temáticas mais originais, o que deu mais legitimidade à produção local, aproximando o público dos artistas”, afirma o quadrinista André Caliman, atualmente professor de Histórias em Quadrinhos na Gibiteca de Curitiba. 

 


Fonte Biblioteca Pública do Paraná

 


 
 
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